Peças únicas, feitas artesanalmente, com sobras de marcenaria e construção civil, material de demolição ou madeiras nacionais certificadas, confeccionadas com o uso de técnicas tradicionais, na tentativa de resgatar a importância e o valor das artes e ofícios, ofuscados pela crescente modernização e industrialização dos processos produtivos. O outro objetivo deste trabalho é mostrar o grande potencial artístico da marcenaria, saindo assim do restrito campo da confecção de móveis.ordenado cada vez mais pelas tendências do mercado. Ao interagir com outros materiais e buscando não só os objetivos práticos e utilitários de sua produção, a marcenaria pode proporcionar tanto para quem a exerce quanto para quem dela usufruí, beleza e poesia, além de abrir novas perspectivas de espaço para reflexões e questionamento, que são fundamentais para a existência humana.
Tendo como base principal a madeira, os trabalhos por mim realizados, partem de uma obra de marcenaria buscando transpassar os limites do ato artesanal em busca de um dizer artístico, onde cada peça é produzida, não para ser perfeita, bela ou valiosa, dentro dos conceitos que estes termos significam em princípio.
Mas para ser única, impossível de ser reproduzida, pois a madeira é um elemento singular em seus aspectos físicos, ou seja cada fragmento, mesmo retirado de uma única peça, tem coloração, veios e texturas diferentes, mudando inclusive de acordo com a posição de corte, luminosidade, grau de umidade ou variações de temperatura a que foi submetida.
Dentre os trabalhos aqui apresentados estão caixas, móveis, quadros, pratos, molduras e objetos de decoração em geral, onde são usadas técnicas de revestimentos com lâminas de madeira, cerâmica, marcenaria artesanal, marchetaria autêntica, mosaicos estruturados com madeiras maciças entre outras.
Confeccionados com sobras de marcenaria e construção civil, peças de descarte, demolição ou madeiras certificadas oriundas de extração legal. Nenhuma peça é tingida ou tem suas características naturais como nós, veios revessos, trincas e outras, disfarçadas ou ocultadas de forma artificial.
A grande maioria das caixas aqui apresentadas são confeccionadas dentro de uma técnica que, poderia ser chamada de "mosaico estrutural", onde pedaços de madeiras maciças em tamanhos, cores, e formas variadas são agrupados, segundo um desenho ou não, estruturando assim uma peça. Elas são montadas apenas por meio de colagem, encaixes, ou cavilhas (pinos de madeira), não mostrando assim outro material (ferragens ou pregos) além da própria madeira.
È freqüente trabalhos como estes serem chamados de "marchetaria", que na real concepção do termo consiste na técnica de incrustar, embutir pedaços de madeiras, metais, pedras, ossos e outros numa peça de marcenaria. São também chamados de marchetaria trabalhos com laminas de madeiras diferentes, formando os mais variados desenhos, o que se constitui na verdade um mosaico de revestimento, assim como vemos com peças de cerâmica, pastilhas de vidro e outros materiais.
È a madeira que contem em si, e não o trabalho nela desenvolvido, o elemento necessário para que uma peça se estabeleça como objeto de arte. Este elemento é a poesia, que se faz desde a semente, perpassa pela árvore e consolida-se enfim na obra.
EVENTOS REALIZADOS
Com coquetel de abertura em 03 de dezembro e seguindo até 09 de dezembro de 2010, a exposição contou com local privilegiado no ESPAÇO CULTURAL DO MOSTEIRO SÃO BENTO
Ocorrida nos dias 27, 28 e 29 de agosto de 2010, no Salão Monteiro Lobato em Sorocaba, onde diversas empresas do ramo de arquitetura e decoração estiveram presentes. Ernesto Ferro apresentou um total de aproximadamente 100 peças.
Realizada entre os dias 30 de abril e 02 de maio último, foi visitada por cerca de 250 pessoas das quais a grande maioria mostrou-se muito contente em poder entrar em contato com tais trabalhos e receber informações sobre os mesmos e as técnicas utilizadas.